A OBSERVADORA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Jamais imaginei que todo mundo pudesse ter um defeito na perna. Mas tem! Obtive essa informação com uma mulher em uma parada de ônibus.
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O INCESTO
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Não esqueci mais as palavras daquela mulher: “O pai do filho dela é o irmão dela!”. Essa voz, não sei porque, perturbou-me nos últimos sete anos.
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DONA MARIA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Naquele dia, assim que eu entrei no ônibus e sentei, não sei por quanto tempo, mas quando retornei à realidade, ela estava sorrindo. Era a dona Maria!
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A IRMÃ
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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É comum a bordo do 351, de manhã, encontrar pessoas com mal-estar. Tão comum que quase ninguém se importa. Geralmente, é fácil identificar o passageiro que terá enjôo.
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O DISCURSO DO ÁRABE
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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O homem estava indignado, não escondia esse estado. Ele é um dos meus companheiros de viagem no 439 (Zona Norte-Centro), por volta da meia-noite.
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“EU TAMBÉM SOU UM HERÓI”
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Aquiles, um vendedor de jujuba, tem a boca um pouco puxada para a esquerda, pernas atrofiadas, joelhos quase encostando ao chão e calcanhar apontado para cima.
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AS HISTÓRIAS DE DONA VARLINDA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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O ônibus ainda não estava lotado. Eram duas da tarde. O suor que caía do motorista, em segundos, transformava-se em vapor.
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O MATEMÁTICO
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Passaram-se cinco anos desde o meu encontro com aquele passageiro e ainda hoje as seis palavras que ele me falou continuam martelando o meu juízo. “Mais um dia, menos um dia”.
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A CHUPETA MÁGICA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Maio de 1999. Eu havia chegado a Manaus. Aluguei um quarto no bairro Petrópolis. Ficaria mais fácil ir para Universidade Federal do Amazonas (Ufam) sem pagar transporte.
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A PREGAÇÃO
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Orai e vigiai, irmãos! A luta contra o demônio não acabou! Tive o coração tocado por essa verdade na última viagem que fiz a bordo do ônibus 219 (Augusto Montenegro-Centro).
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O TRAUMA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Devo à personagem deste texto um livro. Tive a presunção de prometê-lo. Este episódio ocorreu durante uma viagem a bordo do 422 (Oswaldo/Américo/Centro).
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A MULHER DA PARADA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Eu a chamei de "a mulher da parada". É onde sempre a vejo: na parada de ônibus. Grita, resmunga, ri, chora e conversa com ninguém. Quando ela chega, os outros partem, faça chuva ou sol. Parece até que todos sabem que ali é o mundo dela.
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PACTO COM O DIABO
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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As abelhas pousam na fatia de queijo coalho. Ele as agride com um trapo gorduroso. Apressado, o cliente pára e lhe pede um pouco de fogo para acender o cigarro. Ele nega; depois, resmunga. Tudo incomoda seu Antônio.
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A APERTADINHA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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O Sol e ela sempre chegavam juntos. Ele pela janela; ela pela porta. O Sol não deixou de brilhar, foi ela quem perdeu o brilho.
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A SUBMISSA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Desci do ônibus tentando memorizar: “Efésios Capítulo 5, versículos de 21 a 24”. Repeti as palavras e os números da Cachoeirinha à Cidade Nova.
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A ÚLTIMA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Não o reconheceria se ele não tivesse falado comigo. “E aí, cara, não fala mais com os pobres?” Em princípio, fiquei assustado.
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MIGUINHO
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Estava a bordo do 112 (BR-174). Algumas paradas depois, decidi: teria que desembarcar o mais depressa possível.
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A DÚVIDA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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No ano das bodas de prata de seu casamento, ele encontra três cartas. Eram correspondências esquecidas que mudariam seu casamento e abalariam sua confiança na igreja e sua fé em Deus.
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MATURANA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Maturana previu a própria desgraça. Poderia ter evitado-a, mas, mesmo desconfiando que o fim da noite lhe seria trágico, entregou-se aos prazeres da noite e da carne.
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CEGO É AQUELE QUE NÃO CHEIRA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Há muito ouço falar que quando se perde uma sensibilidade se aguça outra. É a chamada lei natural da compensação.
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O PAQUERADOR ENRASCADO
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Todo mundo se assustou com o grito desesperado do rapaz: “Ai! Ai! Motorista, pelo amor de Deus, pára o ônibus! Pára! Pára! Pára!”
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A TORRE DE BABEL
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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A confusão tomou conta da viagem. Por alguns minutos senti que o 651 era a própria Faixa de Gaza
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A MORTE DE DONA BUNDINHA
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Por descuido, saí do trabalho com o crachá no peito. Não passava por mim que o vacilo me faria viajar no tempo
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OS CABELOS DO ZÉ
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Desci do ônibus curioso para saber quantos fios de cabelos têm na cabeça. Não perdi tempo. Fiz a pergunta ao Google e lá me veio a resultado da busca: “Caro amigo repórter, as pessoas têm entre 90 mil e 150 mil fios de cabelo na cabeça”
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A PARÁBOLA DO MACACO
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Vi meu ex-professor de Metodologia e, de novo, voltei a sentir pena do macaco-da-noite. Encontrei o velho filósofo dentro do “cata-corno”, como é conhecida a rota Integração que circula dentro da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
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MEU PEQUENO VIZINHO
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Marcus Victor domina, como poucos, os códigos do mundo das drogas. Diferencia a pasta do pó; a fumaça de tabaco da fumaça de maconha. Conhece quem fornece, quem distribui e quem usa.
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DEÍLSON NO TROPICAL
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Por um triz esta coluna não perdeu um de seus maiores colaboradores, meu colega de busão Deilson Trindade. De uma só vez, contraiu dengue, malária, febre tifóide e uma doença provocada por um fungo, que ainda está sendo investigado pelo Hospital Tropical.
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MEU LOUCO DESEJO
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Assim que seo Flávio me mostrou a foto de sua filha senti o mesmo desejo que o escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez sentiu aos 90 anos de idade: o de poder me dar de presente uma noite de louco amor com aquela linda morena.
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REPÓRTER DE SORTE
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Ao desembarcar do 422, na estação da Matriz, fui recebido com uma afirmação que me deixou pávulo pelo resto do dia: “Ah repórter de sorte!”. Era o Louro. Começamos juntos no rádio.
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A FAMÍLIA GRANDE
Por Neuton Corrêa em Crônicas
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Encontrei a senhora Grandona numa viagem do 351. Embarcou na Praça 14 de Janeiro, um pouco depois da Igreja de São José Operário. Tive impulso de falar com ela, mas hesitei.
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